{"id":7759,"date":"2024-02-06T11:12:41","date_gmt":"2024-02-06T14:12:41","guid":{"rendered":"https:\/\/suburbionoar.com.br\/?p=7759"},"modified":"2024-02-06T11:12:43","modified_gmt":"2024-02-06T14:12:43","slug":"hiv-cientistas-descobrem-janela-de-oportunidade-contra-o-virus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/suburbionoar.com.br\/index.php\/2024\/02\/06\/hiv-cientistas-descobrem-janela-de-oportunidade-contra-o-virus\/","title":{"rendered":"HIV: Cientistas descobrem &#8220;janela de oportunidade&#8221; contra o v\u00edrus"},"content":{"rendered":"\n<p>O v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (HIV) causa uma infec\u00e7\u00e3o que ataca o sistema imunol\u00f3gico. A s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida (AIDS) \u00e9 o est\u00e1gio mais avan\u00e7ado. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o HIV ainda \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica mundial. At\u00e9 metade de 2023, o agente causou mais de 40 milh\u00f5es de mortes. Enquanto os cuidados atuais se concentram em preven\u00e7\u00e3o e controle, cientistas buscam fraquezas no v\u00edrus para achar a cura ou vacinas. Visando entender melhor o HIV, estudiosos da Universidade Duke, nos Estados Unidos, notaram um movimento ultrarr\u00e1pido na superf\u00edcie do v\u00edrus. Anticorpos destinados a essa parte m\u00f3vel podem ser fundamentais para uma abordagem vacinal.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o HIV se desloca para fora de uma c\u00e9lula humana para atacar e espalhar sua carga gen\u00e9tica, h\u00e1 um r\u00e1pido momento em que um pequeno peda\u00e7o da sua superf\u00edcie se abre para iniciar o processo de infec\u00e7\u00e3o. Notar a abertura e o fechamento dessa estrutura em milion\u00e9simos de segundo proporcionou aos pesquisadores do Instituto de Vacinas Humanas da Universidade de Duke uma nova compreens\u00e3o da superf\u00edcie do v\u00edrus que poderia levar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de anticorpos para uma vacina contra a Aids. Os resultados do ensaio foram detalhados, ontem, na revista Science Advances.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa<\/strong><br>Segundo os estudiosos, conseguir ligar um anticorpo a essa \u00ednfima parte, impedindo-a de se abrir, seria crucial. O peda\u00e7o m\u00f3vel \u00e9 uma estrutura chamada glicoprote\u00edna de envelope, e os pesquisadores v\u00eam tentando compreend\u00ea-la h\u00e1 muito tempo, pois \u00e9 indispens\u00e1vel para o v\u00edrus se acoplar a um receptor de c\u00e9lulas T \u2014 essenciais para o sistema imunol\u00f3gico \u2014 , conhecido como CD4. Muitos peda\u00e7os do envelope est\u00e3o constantemente em movimento para evitar o sistema imune.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Tudo o que todos fizeram para tentar estabilizar essa estrutura n\u00e3o funcionar\u00e1, por causa do que aprendemos&#8221;, relatou, em nota, o autor principal Rory Henderson, bi\u00f3logo estrutural e professor de medicina na universidade. &#8220;N\u00e3o \u00e9 que tenham feito algo errado, \u00e9 apenas que n\u00e3o sab\u00edamos que ela se movia dessa maneira.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora p\u00f3s-doutorada e coautora do estudo, Ashley Bennett, detalha os resultados encontrados. Segundo ela, \u00e0 medida que o v\u00edrus procura o melhor ponto de fixa\u00e7\u00e3o em uma c\u00e9lula T humana, o primeiro ponto de contato \u00e9 o receptor CD4 da c\u00e9lula hospedeira. Essa conex\u00e3o \u00e9 o que desencadeia a abertura da estrutura do envelope, expondo um local de liga\u00e7\u00e3o a correceptores &#8220;e esse \u00e9 o evento que realmente importa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando as mol\u00e9culas do v\u00edrus est\u00e3o ligadas \u00e0 membrana celular, o processo de inje\u00e7\u00e3o de RNA viral pode come\u00e7ar. &#8220;Se ele entra na c\u00e9lula, sua infec\u00e7\u00e3o agora \u00e9 permanente&#8221;, afirmou Henderson. &#8220;Se voc\u00ea for infectado, j\u00e1 perdeu o jogo porque \u00e9 um retrov\u00edrus&#8221;, refor\u00e7ou Bennett<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura m\u00f3vel descoberta pela equipe protege o local de liga\u00e7\u00e3o a correceptores no v\u00edrus. &#8220;\u00c9 tamb\u00e9m uma trava para impedi-lo de abrir at\u00e9 estar pronto para abrir&#8221;, sublinhou Henderson. Conforme o pesquisador, manter a trava com um anticorpo espec\u00edfico interromperia o processo de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Josias Arag\u00e3o, infectologista do Hospital do Servidor P\u00fablico Estadual, em S\u00e3o Paulo, pondera que, apesar da relev\u00e2ncia da descoberta, ainda h\u00e1 muito para se compreender, pois o HIV tem diversos fatores que dificultam a cura.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso depende tamb\u00e9m da intera\u00e7\u00e3o do v\u00edrus com o hospedeiro. Essa dificuldade tem que ver com a intera\u00e7\u00e3o do v\u00edrus com a pessoa que o carrega. O HIV tem mecanismos que possibilitam escapar do sistema imunol\u00f3gico. Parte do material gen\u00e9tico dele fica integrado com o material gen\u00e9tico humano. Tamb\u00e9m h\u00e1 grande diversidade viral num mesmo indiv\u00edduo, com subpopula\u00e7\u00f5es do v\u00edrus em diferentes sistemas e \u00f3rg\u00e3os.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Processo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para analisar o v\u00edrus em fases de abertura, fechamento e intermedi\u00e1rio, os autores usaram um acelerador de el\u00e9trons, localizado no Laborat\u00f3rio Nacional de Argonne, nos Estados Unidos. Para conseguir as informa\u00e7\u00f5es que precisavam, eles tiveram acesso a tr\u00eas per\u00edodos de 120 horas com o equipamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhos anteriores sugeriram que os anticorpos estavam sendo projetados para formas erradas no v\u00edrus, o novo ensaio revela que isso provavelmente estava correto. &#8220;A pergunta era &#8216;por que, ao imunizar, estamos obtendo anticorpos para lugares que deveriam estar bloqueados?'&#8221; Questionou Henderson. Parte da resposta deve ser encontrada nessa estrutura e em sua habilidade de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A intera\u00e7\u00e3o entre a liga\u00e7\u00e3o do anticorpo e o que essa forma representa \u00e9 realmente crucial para o trabalho que realizamos. Isso nos levou a projetar um imun\u00f3geno no dia em que voltamos do primeiro experimento. Achamos que sabemos como isso funciona&#8221;, finalizou o autor principal.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo Neubauer, infectologista e membro do Col\u00e9gio M\u00e9dico Brasileiro de Acupuntura (CMBA), frisa necess\u00e1rio relembrar a import\u00e2ncia do controle do pat\u00f3geno. &#8220;Atualmente, conseguimos manter o paciente livre de sintomas, com carga viral &nbsp;indetect\u00e1vel e um n\u00famero adequado de c\u00e9lulas de defesa. No entanto, pensar em cura \u00e9 muito dif\u00edcil. Al\u00e9m disso, a ideia de uma vacina \u00e9 bastante complexa, dadas as caracter\u00edsticas do pr\u00f3prio v\u00edrus, que atuam no sistema de defesa. De certa forma, uma vacina poderia estimular o v\u00edrus a atingir mais c\u00e9lulas de defesa.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><br>&#8220;V\u00e1rias vacinas j\u00e1 foram estudadas e nenhuma foi para frente, atuando em diferentes locais. Mas essa pode ser uma nova oportunidade, com um novo local a ser estudado, para criar uma vacina que talvez d\u00ea certo. Isso \u00e9 muito interessante. Hoje temos tratamento com o qual a pessoa vive com HIV e tem carga viral indetect\u00e1vel, devido aos medicamentos ela n\u00e3o transmite. Isso j\u00e1 \u00e9 uma forma de preven\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m existe a prep, que \u00e9 a profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o, uma combina\u00e7\u00e3o de medicamentos parecida, mas n\u00e3o igual ao coquetel dos portadores do v\u00edrus.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Juliana Fenley, infectologista e coordenadora de medicina da Universidade Anhembi Morumbi<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (HIV) causa uma infec\u00e7\u00e3o que ataca o sistema imunol\u00f3gico. A s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida (AIDS) \u00e9 o est\u00e1gio mais avan\u00e7ado. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o HIV ainda \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica mundial. At\u00e9 metade de 2023, o agente causou mais de 40 milh\u00f5es de mortes. 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