{"id":4803,"date":"2023-10-05T15:06:28","date_gmt":"2023-10-05T18:06:28","guid":{"rendered":"https:\/\/suburbionoar.com.br\/?p=4803"},"modified":"2023-10-05T15:06:29","modified_gmt":"2023-10-05T18:06:29","slug":"ex-funcionaria-de-loja-na-ba-denuncia-gerente-por-racismo-ouca-audio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/suburbionoar.com.br\/index.php\/2023\/10\/05\/ex-funcionaria-de-loja-na-ba-denuncia-gerente-por-racismo-ouca-audio\/","title":{"rendered":"Ex-funcion\u00e1ria de loja na BA denuncia gerente por racismo; ou\u00e7a \u00e1udio"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma vendedora denunciou a gerente de uma loja de roupas esportivas por racismo em Mata de S\u00e3o Jo\u00e3o, no distrito de Praia do Forte, Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador. Den\u00fancia foi feita ap\u00f3s um \u00e1udio onde a suspeita fala mal do cabelo da v\u00edtima passar a circular nas redes sociais. Ou\u00e7a abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p>Na grava\u00e7\u00e3o, a suspeita afirma que o cabelo da v\u00edtima \u00e9 &#8220;cabelo de negro&#8221; que passou &#8220;ferro&#8221;, al\u00e9m de dizer que a v\u00edtima \u00e9 uma &#8220;negra cor de disco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O iBahia entrou em contato com a suspeita acusada do ato racista, mas n\u00e3o recebeu retorno. Em nota, a loja Track&amp;Field afirmou que realizou uma sindic\u00e2ncia interna para apura\u00e7\u00e3o do caso e desligou a funcion\u00e1ria que falou sobre o cabelo da ex-funcion\u00e1ria.<br><\/p>\n\n\n\n<p>A v\u00edtima, Vanessa Santos Ribeiro, de 26 anos, trabalhou na loja entre 2021 e 2022. No final do ano passado, ela foi demitida e disse que n\u00e3o recebeu explica\u00e7\u00f5es sobre o motivo da demiss\u00e3o. O \u00e1udio em que a gerente fala sobre o cabelo de Vanessa e de uma outra funcion\u00e1ria, que n\u00e3o teve a identidade revelada, foi gravado em setembro deste ano por uma terceira funcion\u00e1ria, que n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a conversa, a suspeita cita a ex-funcion\u00e1ria para falar sobre o cabelo dela. \u201cVanessa, por exemplo, ela \u00e9 negra, cor de disco, eu acho que ela alisar o cabelo fica muito artificial, porque ela \u00e9 \u2018negra tifunzinha\u2019. Se ela botasse o cabelo cacheado ficaria bonita, ent\u00e3o [liso] for\u00e7a muito, nunca vi negro de cabelo liso\u201d, diz a gerente no \u00e1udio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O \u00e1udio<\/h4>\n\n\n\n<p>Na grava\u00e7\u00e3o, a suspeita fala sobre duas pessoas: Vanessa, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 funcion\u00e1ria d loja, e uma outra mulher, que n\u00e3o teve o nome divulgado, Na conversa, subentende-se que a segunda mulher citada trabalha na loja.<\/p>\n\n\n\n<p>A suspeita fala mal do cabelo das duas. Com rela\u00e7\u00e7ao a Vanessa, que usa o cabelo liso, ela afirma que o procedimento fica artificial, enquanto que para a outra mulher, ela opina que seria melhor reduzir o black power.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu acho que a outra deveria diminuir [o cabelo]. Elas n\u00e3o se tornam bonitas por isso, porque uma deveria assumir menos e a outra assumir mais o que ela \u00e9\u201d, disse as suspeita no \u00e1udio.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra funcion\u00e1ria que participa da conversa rebate que o cabelo da outra vendedora, que usa o cabelo natural, \u00e9 \u201cdesse jeito mesmo\u201d e que acha bonito. Ela explica ainda que nem todos os cabelos de pessoas negras t\u00eam cachos definidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, a suspeita rebate e questiona o motivo de Vanessa n\u00e3o &#8220;assumir&#8221; o cabelo natural, ao passo que a vendedora explica que muitas pessoas acreditam que \u00e9 mais f\u00e1cil cuidar do cabelo alisado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFica artificial, as pessoas est\u00e3o vendo que \u00e9 um cabelo de negro de ferro\u201d, afirma a suspeita.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a vendedora pontua que n\u00e3o h\u00e1 problema em parecer artifical, j\u00e1 que quando as pessoas pintam o vabelo de loiro \u00e9 poss\u00edvel perceber que a tonalidade tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdadeira. Ainda assim, a suspeita diz que Vanessa deveria &#8220;assumir a cor e o cabelo dela&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O que diz a v\u00edtima<\/h4>\n\n\n\n<p>Ao g1, Vanessa afirmou que quando ouviu o \u00e1udio gravado pela colega ficou arrasada. Em seus 26 anos de vida, ela adeclarou que essa foi a primeira vez que foi v\u00edtima de racismo de forma t\u00e3o direta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMe perguntei se era isso mesmo que estava acontecendo, se era isso mesmo que eu estava ouvindo. Est\u00e1 sendo tudo muito louco para mim, me senti arrasada. Com 26 anos de idade eu nunca passei por isso, ent\u00e3o fico at\u00e9 sem palavras\u201d, desabafou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que surpresa, Vanessa afirma que o racismo velado a acompanhou durante toda sua trajet\u00f3ria na loja. Ela ouvia coment\u00e1rios racistas vindos da suspeita, mas os classificou como &#8220;aleat\u00f3rios&#8221;, porque n\u00e3o eram direcionados a ela e ocorriam de forma desconexa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela contou tamb\u00e9m que o racismo tamb\u00e9m era direcionado aos clientes negros que entravam no estabelecimento. Falas preconceituosas nos bastidores e associavam a cor e condi\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 presenciei tamb\u00e9m atos racistas l\u00e1 dentro, com clientes mesmo, mas esses clientes n\u00e3o percebiam. Quando uma pessoa negra entrava na loja, diziam coisas tipo: \u2018ah, esse preto a\u00ed n\u00e3o vai comprar, n\u00e3o tem dinheiro\u2019. Isso me magoava\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o \u00e1udio gravada pela colega, Vanessa refletiu sobre o assunto e decidiu fazer um boletim de ocorr\u00eancia na delegacia da cidade, na \u00faltima segunda-feira (2). Em nota, a Pol\u00edcia Civil afirmou que a Delegacia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental de Praia do Forte apura a den\u00fancia e que suposta autora das falas racistas j\u00e1 foi intimada a prestar depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Vanessa relatou ainda ao g1 que, para processar o trauma ir\u00e1 procurar um psic\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Nota da Track&amp;Field<\/h4>\n\n\n\n<p>&#8220;A Track&amp;Field desde que tomou ci\u00eancia do epis\u00f3dio ocorrido na Loja da Praia do Forte, envolvendo uma de suas funcion\u00e1rias e uma ex-colaboradora, que j\u00e1 n\u00e3o trabalha na loja h\u00e1 mais de um ano, realizou uma sindic\u00e2ncia interna para apura\u00e7\u00e3o do fato, que seguiu com o desligamento da funcion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos uma marca de bem-estar e por isso buscamos promover o melhor ambiente para nossos clientes, colaboradores e parceiros. Este tipo de situa\u00e7\u00e3o fere os valores da marca que \u00e9 veemente contra qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o. Com isso, seguiremos prestando o apoio necess\u00e1rio a todas as partes envolvidas e refor\u00e7ando a import\u00e2ncia do respeito \u00e0s pessoas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: iBahia <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vendedora denunciou a gerente de uma loja de roupas esportivas por racismo em Mata de S\u00e3o Jo\u00e3o, no distrito de Praia do Forte, Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador. Den\u00fancia foi feita ap\u00f3s um \u00e1udio onde a suspeita fala mal do cabelo da v\u00edtima passar a circular nas redes sociais. 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